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Em 27.03.2017 - Por Ana Medeiros

Como encontrar seu estilo na decoração (Manual parte 1)

Vamos começar a falar sobre o nosso Manual de decoração para pessoas perdidas e desajeitas? Obviamente que organizaremos tudo isso mais pra frente em um só arquivo, mas até lá teremos que bater vários papinhos rápidos que irão nos levar a algumas reflexões, combinado?

Separei aqui alguns “comentários” de  leitoras lá no formulário que fizemos naquele outro post, foram mais de trezentas respostas. Vejam só:

1 – “Combinar referências. Meu mural do pinterest é uma zona com referência de industrial, minimalista, decor mais feminina e diy. Eu gosto de decoração bem colorida e alegre, mas tb piro em 50 tons de cinza… rs”.

2 – “Acho que o problema que enfrento é o mesmo que eu seu: excesso de referências. Isso sem contar a insegurança em tomar uma decisão. Sempre penso “e se aparecer algo mais bonito depois?”. Nessa brincadeira demorei 6 meses pra escolher um simples puxador pros meus criados-mudos.”

3 – “Bom, dificuldade tem de tudo um pouco né, mas a maior de todas é tirar a bunda da cadeira, saber o momento de parar de buscar tanta referência e começar a executar”

4 – “Dificuldade em estabelecer um estilo, conseguir harmonizar os diferentes cômodos e especialmente, conseguir visualizar na loja uma peça e saber se ficaria legal ou se aquilo combina com o resto da decoração já existente”

5 – “São muitas referências que gosto, dái a confusão total na cabeça. Romântico, clássico, geek, vintage, etc…”

6 – “Tenho muita dificuldade de definir um estilo, acabo gostando de varias coisas querendo colocar tudo no mesmo ambiente todas as ideias em prática. Acabo mudando muito de ideias vejo sempre coisas que acho mais legais, enfim meu projeto nunca acaba, tem sempre uma coisa nova que quero fazer e quando olho nada tá super legal que nem vejo. Acho que e a misturada rsrs.”

7 – “Tenho inúmeras ideias, mas tenho dificuldades de colocar em prática. admiro seu blog e os demais que tratam de decoração. Sou apaixonada por casas com alma, com a cara do dono, e pretendo fazer da minha o espelho da minha alma.”

8 – “Como começar a planejar a decoração, visto que a facilidade de se obter referencias, acaba gerando duvidas nas combinações, estilos e não deixar a decoração “full” pesada ou cheia demais.”

9 – “Eu tenho dificuldade em não misturar estilos e ficar tudo uma bagunça esquista. Meu pinterest eh cheio de referencias legais mas na hora de comprar coisas eu n sei por onde comecar. Fora que tem a questão do orçamento que pesa bastante!”

10 – “Não posso fazer tudo de uma vez, então queria começar por um primeiro item pra definir as cores e estilo do resto da decoração. Por onde começar? Na sala tenho uma mesa verde/azul turquesa e um sofá cinza. E agora? Coloco uma cortina colorida ou neutra? Tapete colorido ou neutro? Gosto de cores complementares, mas como e onde aplicar?”

Rolou identificação? Tá vendo como o medo de começar ou de ter que definir um estilo é muito comum?

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Agora eu preciso falar sobre a minha história. Senta aí que uma hora nesse ” Des-manual” tudo fará sentindo.

No meu primeiro apartamento, que nem chegou a ser um apartamento decorado, a mesa de jantar não tinha cadeiras, o quarto era tão gelado que a janela suava sem cortinas, a cozinha sequer tinha o tapetinho da pia. Escolher um “estilo” na decoração propriamente dito, e investir nele, não era uma opção naquela época.

Eu tinha 23 anos, era estagiária do MP, mudei de Recife para SP de forma repentina diante de uma paixão inconsequente e avassaladora, e não sabia nada sobre decoração (Como ainda não sei, mas naquela época o meu contato com esse universo era mínimo). Quando peguei as chaves daquele apartamento novo, um mundo também muito novo se apresentou pra minha pessoa, que até então não havia encontrado ainda algo que tivesse tanta afinidade pra passar a vida falando, pesquisando, questionando, trabalhando com. A minha faculdade de Ciências Sociais se tornou mesmo uma piada, rs.

Depois de assinarmos o contrato de aluguel, fomos a uma loja de eletrodomésticos e móveis e escolhemos tudo que precisávamos. “Tudo” que eu falo era o basicão somente, ou seja, quase nada, hahaha. Pra que você entenda melhor: Compramos uma cama, mas não tínhamos lençóis, rs (E acabamos pegando emprestado com uma tia).

Quando não temos muitos recursos financeiros, e digo isso por causa de toda essa minha experiência, muitas vezes não temos escolhas em relação ao que comprar. Calma, não estou afirmando que quem não tem grana não pode ter um estilo, estou querendo te dizer que naquela época do meu primeiro apartamento, não queria um sofá mostarda de tecido, mas foi o sofá mostarda que o dinheiro deu pra comprar.

Meses depois as coisas foram se ajeitando e conseguimos comprar um sofá como queríamos, de cor neutra e confortável, e a partir dele algo muito transformador foi surgindo aqui nesse meu serzinho: Fui me empolgando, buscando referências, vendo que era possível sim ter uma casa linda (e nessa época só tínhamos alguns poucos blogs de decoração, Orkut e MSN, nada de uma plataforma como o Pinterest). Descobri que o sofá mostarda me limitava, ele era o meu vilão e me fez perceber que eu precisava e gostava de ter muitas cores envolvidas naquela nova base neutra. Até então, nada mudou basicamente, é disso que eu gosto: Cores!

Alguns meses depois conseguimos comprar uma manta para o sofá, um tapete bem coloridão na praça Benedito Calixto e uma lata de tinta pra mudar a cor de uma das paredes da sala de estar. Também tínhamos almofadas e alguns imãs na geladeira. O nosso apartamento ia ganhando um pouco de nossa personalidade, mas ainda não tinha um estilo definido, e eu acreditava que deveria ter.

Mas o que quero dizer com essa história é que estilo não é algo que a gente define tão facilmente ou compra numa loja (Quer dizer, você pode comprar itens que definem um estilo, mas essa é outra história que não nos interessa muito aqui nesse post). Estilo é descoberta, é processo, é tempo.

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Já mudei para outras casas, outros Estados, já se passaram quase 10 anos daquele primeiro apartamento, e consigo perceber tantas semelhanças em um “estilo” que ainda nem consigo definir, mesmo consumindo tanto o assunto decoração ao longo de todo esse tempo, mesmo tendo um blog de nicho, mesmo vendo tantas referências na internet, em revistas e nos muitos e-mails com releases de empresas do ramo. E quando me fazem a pergunta do que gosto, eu só consigo dizer que gosto de coisas, de algumas coisas, de muitas coisas.

Consegue perceber que talvez  não seja necessário um estilo pra chamar de seu, mas apenas parar pra perceber quais são as coisas que você gosta? Talvez possa funcionar com você como aconteceu comigo. A sua casa é um espelho, mas é um espelho seu, ela definitivamente não precisa se enquadrar em um modelo pronto e genérico.

Quando você se liberta dessa ideia de que ter um estilo é algo imprescindível para refletir  um universo das coisas que te fazem bem, que te trazem um conforto visual e uma sensação de bem-estar, definitivamente tudo se torna fácil, porque você não é mais obrigado a se pressionar e fazer escolhas difíceis.  

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E o que a gente faz com tantas referências? Com um mundo inteiro de possibilidades que o Pinterest nos apresenta? Entendo demais essa sensação descrita pelas leitoras.

Por muitas vezes me pego confusa também. Então eu te proponho algumas táticas pra você pelo menos começar no seu caminho do autoconhecimento em relação ao seu espaço, a sua casa, que é bem diferente de te dizer “Táticas para escolher um estilo”, ok? Saia da caixinha que estão tentando te colocar.

- Faça uma lista de coisas que você gosta, desde algo muito material a outras coisas mais subjetivas. Aqui a minha lista:

-Objetos que remetem ao passado/saudosistas – Objetos e  móveis que remetem a outras épocas fazem a minha cabeça, rs.

-Rock indie – Não sei explicar bem onde isso pode interferir na minha decoração, acho que é mais um estado de espirito da casa mesmo.

-Sobremesas – Sim, algo me leva a crer que o gosto por um objeto mais fofinho vem pelo fato deles me remeterem a doces. Tipo, gostar da tendência do abacaxi, outrora ter curtido os cupcakes, comprar sempre potes com tampas que imitam um brigadeiro, essas coisas. Mas vejam só, desconsiderem porque acho que estou viajando demais.

-Regionalidades – Daí vem um pouco da resistência pela minha identidade. Não quero ter uma casa decorada como se eu morasse em um país europeu, sendo que estou no interior de PE, logo trazer elementos regionais me trazem um conforto nesse sentido, como espalhar cactos pela casa, criar móveis com xilogravuras, ter pôsteres com músicas de compositores locais.

-Cores mais quentes – É uma questão de preferência mesmo, me agrada mais e me acolhe melhor as cores quentes e fortes.

-Séries dramáticas – Ainda não sei o que isso tem a ver, mas nem tudo na sua lista precisará ser justificado. Uma hora a explicação vem.

-Ensinamentos budistas – Algo que venho descobrindo e estou tentando trazer pra minha intimidade enquanto espaço que habito, mas aina estou no meio do processo, e de alguma forma, quero que esses ensinamentos de amor e compaixão estejam presentes em cada cômodo.

Viram como essa minha lista diz muito sobre mim e sobre o que pode ser refletido aqui?

Você deve pensar também ”Mas Ana, pra você agora é mais fácil, você não tem um marido, mora sozinha com seus filhos, não tem que tá discutindo gostos”. É verdade. Mas pra decorar o quarto dos meus filhos eu não fiz somente o que eu gostava, trouxe elementos que remetem totalmente ao gosto pessoal de cada um, e se por acaso estivesse morando com outras pessoas, pediria pra ele fazer uma listinha também e veria como conciliar as nossas preferências. Podemos falar melhor sobre isso em outro post.

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-Desapegue e faça planos

Eu tive um plano para o meu sofá mostarda, e sabia que não o queria porque ele limitava minhas escolhas, logo eu economizei horrores pra pagar as 10 parcelas dividias no cartão do sofá neutro. Outra alternativa seria mandar trocar a forração, mas eu também não gostava do modelo. Por que a gente acumula ou se prende a determinadas coisas dentro da nossa casa? Por que a gente não pratica mais o desapego? Porque gastamos com roupas e lanches fora de casa, mas não juntamos uma grana pra comprarmos uma cama mais confortável ou um rack mais estiloso pra sala? São pontos que precisamos entender melhor e praticá-los.

-Busque referências e organize-as!

Sabe por quê você precisa fazer isso? Se você não separá-las será mesmo difícil chegar em um denominador comum. Ótimo que você crie pastas no Pinterest, mas já tentou criar subpastas? Tipo “Referências instantâneas”, para as imagens que te ganham logo de cara e outra de  ”Referências aplicáveis”, que você de fato enxerga uma possibilidade de trazer isso pra vida real? Digo isso porque tenho várias inspirações que me encanto de primeira, mas depois com um olhar menos empolgado, consigo perceber que é inviável coloca-las em prática pelos mais variados motivos.

Que tal materializar de alguma forma essas referências? Você pode criar um mural com as imagens mais bacanas que foram eleitas para estarem no top 10 das melhores referências já vistas. Você pode também começar fazendo listas por cômodo, o que cada um precisa pra sair da UTI (Troca do piso, pintura nova, trazer mais elementos naturais como plantas, novos porta-retratos, etc.), e coloca-los em uma ordem de prioridade. Eu faço MUITO isso. A mina cabeça funciona melhor por “blocos” e esse foi o meio de aflorar a minha criatividade, pensando separadamente, por vez. Descubra então como funciona pra você.

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-Perca seus medos.

E isso fará parte de todo o processo. Quando você entender que não precisa se encaixar em nenhum estilo, provavelmente vai entender que não tem problema gostar de um sofá amarelo de um modelo inglês super clássico  e colocar pôsteres com frases de bandas de rock nas paredes. Sem contar que errar faz parte do aprendizado. Levou pra casa e não gostou? Mude, troque, venda, presenteie. E tenha paciência, porque assim como qualquer outro aprendizado, aqui também não vai ser diferente, não adianta querer acertar sempre e de primeira.

As pessoas tem muito medo também das cores, das combinações, mas voltaremos com esse assunto também em outro post.

-Chega de bunda na cadeira

Pois é, você se entope de tanta informação e não parte pra ação. Começou agora, ok? O que você já pode fazer hoje pra mudar a decor da sua casa? Qual o cômodo que apresenta maior necessidade? Ainda que não possa comprar um móvel novo, te garanto que você pode começar pintando paredes, trocando uma cortina, fazendo um projetinho DIY salvo há tempos. Analise o que você já tem! Olhe pra cada espaço com carinho, aprecie, corra atrás de mudanças que só dependem de um pouco do sou esforço para que aconteçam.

Precisamos começar, e antes feito do que perfeito. É a partir da primeira ação que todas as outras vão surgindo.

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Como já dito, temos aqui um processo,  para ter êxito tem que passar por algo muito interno e pessoal. Obviamente que temos aí faculdades e profissionais falando de muitas técnicas excelentes pra chegarmos a um resultado harmonioso e que também é um caminho a ser percorrido se essa for a sua vontade, mas o que te proponho é mesmo um exercício mais de dentro pra fora, mais pessoal e que envolva somente a tua intuição e criatividade. Aquela ousadia deliciosa que é sair da zona de conforto, que é experimentar, ousar, testar, treinar o olhar, descobrir um caminho que é muito menos dolorido, o caminho da liberdade dos padrões.

Continuaremos esse papo. Perdidos e desajeitados, não me abandonem.


  • Adriane

    Em 27.Mar.2017

    Senti você pegando na minha mão e dizendo, vem aqui pra eu te mostrar uma coisa. E enquanto lia ia visualizando cada cômodo da minha casa.
    Que doido…

    Responder

  • Thais

    Em 27.Mar.2017

    Muito obrigada por esta postagem!!!

    Responder

 

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