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  • oi ano novo

Em 27.01.2016 - Por Gabi Kopko

Sobre uma tristeza que nunca ia embora

Cada vez que um assunto surge na minha cabeça entro num dilema. Escolho ser alguém da internet, que está dando a cara a tapa pra o que pensa mesmo ou escolho ser eu só, com as minhas questões. Odeio ter que lidar com os haters, mas alguns assuntos martelam na cabeça e não há como fugir deles.

Não só eu entrei em contato com um lado estranho depois que me tornei mãe.

Gael nasceu num ano em que passei por problemas pessoais, mas aquela sensação de gerar vida dentro de mim, de ser capaz de fazer parte desse processo que se chama parto e ter nas mãos um bebê tão pequeno, indefeso, me fez me sentir forte como nunca antes eu tinha sentido. Foram meses e mais meses de cuidados, de estudos maternos, livros e revistas…. devorando tudo que poderia aperfeiçoar os meus dons naturais. Era materna. Eu estava envolvida naquele universo que algo dependia exclusivamente de mim e sentia que nada me faltava. Nada e nem ninguém.

Isso não é coisa que mãe assume de cara. Eram coisas que fui percebendo aos poucos. Como mãe de primeira viagem nunca erramos! É natural, faz parte e é assim mesmo. Num é a desculpa?!

Aos poucos vamos voltando à realidade e, onde nada e nem ninguém era necessário, começaram a aparecer outras necessidades que iam além da exclusividade de ser mãe. Ahhhh que vontade que eu tinha de conversar com adultos! Que vontade de trabalhar, de fazer exercícios, de acordar tarde, que vontade de viajar…

Um ano e 3 meses depois dele nascer, fiz a viagem que sonhava desde os meus 13 anos. Finalmente conheci, como eu ainda chamava, Disneilândia. Eu, o marido e o menino. Meu casamento estava passando por uma nova fase agora com a impressão do amor que tinha por meu marido e ainda tinha um outro sonho sendo realizado. Tudo novo, diferente e intenso demais. Só que ali, naquele lugar, algo despertou em mim.

Eu tinha uma infelicidade que nunca ia embora e por mais satisfeita que deveria estar por tudo que me acontecia e conquistava, eu só chorava. Eu queria ficar quieta o tempo todo, longe de todo mundo. Queria me esconder e nem um passeio ao wallmart me acalmava. Voltava pra casa e queria ir embora, queria me sentir melhor. Queria voltar.

Quando chegamos em casa,  percebi que aquele sentimento que me aterrorizava não era desconhecido e nem recente apenas. Já tinha sentido antes, menos e mais, em alguns momentos. Achava que tudo era coisa minha. Era personalidade o nome. Normal! Nada de errado.

Tinha a sensação que estava perdida o tempo todo. Fiquei meio maluca com os medos que tinha em relação ao meu filho. Tudo poderia matar, machucar, engasgar, ferir ele. Precisava manter ele salvo, só comigo. Eu só confiava o cuidado dele a minha mãe e minha sogra. Não dormia direito, verificava se ele tava respirando a noite, ficava obcecada por conselhos maternos e grupos de mães malucas do facebook. Um dia parei e “tu tá meio descontrolada”, pensei. Já existia em mim, como disse, há tempos e naquele exato, estava completamente voltado a maternidade onde estava bastante focada.

Fiz terapia na infância, mas nunca entendi o motivo. Fiz terapia durante vários anos depois. Tava de saco cheio de ficar lá contando minha vida pra alguém e as coisas nunca desaparecerem de vez. Só que as coisas ficaram tão feias e não vi outro alternativa senão tentar mais uma vez. Tava tão indisposta pra levantar todos os dias que acabei me afastando do meu bebê. Óbvio que o amava e queria muito ele por perto. Só que tinha uma sensação estranha que era melhor manter ele longe de mim. Que loucura. Preciso manter ele salvo, mas me sentia distante.

Os medos que as mães têm são meio normais. Vai cair, não sabe fazer isso ainda, vai bater na mesa…Alguns são reais e precisamos ter esse “zelo” pra que TUDO fiquem bem. O problema é que o negócio era exagerado e sem fundamento. Exemplo: Um dia Gael engasgou com leite enquanto eu cochilava. Ele tinha um refluxo severo e já tinha passado quase mais  de 50 minutos desde a última mamada.  Ele estava na minha frente, deitado na minha cama comigo. Fiquei tão desesperada nesse dia que depois criei uma ideia de que se dormisse, ele estaria em risco, poderia morrer. Se dormisse em qualquer momento da vida. Foi aí que entrei pra zumbiândia. Passei meses acordando a noite umas 10 vezes, passando o dia olhando pra ele exaustivamente, com o sono leve. Me sentia culpada e com medo de perder ele. Estava ali, mas com certo distanciamento. Meu papel maior era manter ele vivo.

Vamos à terapia. Ainda assim, estava aberta. Precisava tentar. Que outra alternativa eu conhecia?!

Tive depressão na infância. Esse era o motivo das minhas conversas com uma psicóloga quando era pequena. Mas nunca ninguém teve clareza do que se tratava. Fui eu que descobri quando tive a responsabilidade de cuidar da infância de alguém.

Existem vários momentos da minha vida que “mesmo triste eu tava feliz”. Eu tinha motivo para ter momentos felizes, mas a tristeza era mais comum e as coisas bacanas pareciam desaparecer ou serem somente uma coisa que, com sorte, aconteceu comigo. Não faziam parte de mim. Não merecia.

A relação com as pessoas ao meu redor também ficou fragilizada. Ninguém era obrigado a aguentar alguém que estava sempre triste e que você tinha que insistir muito pra sair, pra contar algo bacana. Só tinha tristeza nos meus lábios e olhos. Nunca fui boa atriz, mas fingia bem no primeiro momento. Quando a pessoa me perguntava se eu tava bem quase dava um tilt: Vai lá! Lembra de algo bom! Lembra de algo bom!

Daqui a pouco estava chorando outra vez.

Assim, parece que foi até uma coisa simples que aconteceu, mas isso se arrastou por anos, gente! E em muitos eu pensava: bem, será que não seria melhor pra todo mundo se você não existisse?! Será que não seria melhor se o João pudesse casar com outra pessoa e trazer uma madrasta bacana para os meninos?!

Eu queria viver. Mas eu queria viver! Eu olhava pros meninos (Já agora com o Levi) e pensava: Poxa! Mas eu preciso viver! Não posso perder isso! Não seria melhor se eu ficasse por aqui.?!Luta constante.

Odeio admitir que tudo pode piorar e assim nesse contexto, vive uma grande decepção num ambiente que deveria ser um dos meus lugares seguros. Algo que mudou a minha vida e da minha família. Vivenciei a sensação de estar no fundo do poço. Sentia num buraco fundo e escuro onde era impossível chegar a superfície e sair. Não tinha força! Não conseguia mais viver com aqueles pensamentos, com o coração doendo, com a sensação que era eu a “diferentona”. Ninguém mais sentia isso.

Ouvia das pessoas: mas você não acredita em Deus?! Se você acredita em Deus, ele vai te curar! E novamente, quando voltava tudo: Você não tem fé suficiente! Tem algo errado na sua vida! Você precisa voltar pra Deus, pedir perdão, investigar as últimas gerações da sua família! É algum pecado oculto blablablablá…

Tenho que pedir isso pra você que tá do outro lado do computador: Não piore a vida das pessoas! Se você não tem algo bom, que vai ajudar pra dizer, cale a boca! A minha fé sempre me foi suficiente, mas o funcionamento do meu organismo não.

Depressão não é vontade de sentir tristeza. É uma tristeza que você tenta tirar, mas está alastrada dentro de você. Circula, como se estivesse no seu sangue, fazendo seu corpo todo travar, atrofiar. Talvez por traumas, por dificuldades, mas também por uma desordem do próprio corpo humano. Está na parte de dentro, está na cabeça. Suas amigas, sua família, seus chefes, que nunca sentiram isso, não vão te entender, por mais que te amem e que queiram te ajudar. É difícil mesmo de explicar.

Me rendi a uma terapia que oferecia uma abordagem nova chamada EMDR. Depois de algumas sessões, consegui escalar as paredes e sair do meu poço. Mas estava tão fraca que precisei de uma ajuda extra medicamentosa pra seguir em frente e não desequilibrar na beirada do poço outra vez. Pelo menos, o mais importante, era que estava ali fora. Consegui.

Não desaparece para sempre a sensação, mas você aprende a não mais ser paralisada por ela. Não é possível esquecer tudo que aconteceu de ruim, quando você estava ruim e que só piorou a sua situação. É possível perdoar quem não jogou a corda pra você escalar o poço. Talvez eles nem soubessem que a corda poderia te ajudar. A sua fé continua e cresce e Deus que é amor, não fica lá te lembrando ou descontando em você cada um dos seus pecados pra você ter a certeza que é ele quem manda. Também nem fica pisando nas suas mãos quando você está pendurada na escalada. Essa coisa de que Ele quer que você caia sempre não é verdade.

Ninguém sabe e conhece melhor sobre você e só você pode se ajudar a sair de qualquer poço que esteja. Ninguém, nem eu e nem você escolhemos ou gostamos de passar a vida assim. Mesmo fraca, ainda é você que poderá reunir as forças que restam pra fazer isso tudo passar. Procure ajuda profissional. Faça exercícios, ajude uma ONG bacana. Busque atividade que te dê prazer. Doe grana pros médicos sem fronteiras. Saia do Facebook se precisar. Se guarde até conseguir organizar o interior. Se afaste de tudo que apenas reforce que você está fraca, tem um problema e está condenada para sempre.

Há dias melhores e dias nem tanto. Há dias fáceis e dias de enfrentar seus medos de frente. Há dias de muito chororô ainda e a certeza que esse chororô não é totalmente ruim e o melhor: Ele passa.

Fico olhando pros guris e tentando descobrir os possíveis traços de depressão infantil, o que pode trazer muita tristeza pra eles. Pera! Não! Não significa que vai ser do mesmo jeito com eles e se sofrerem, quer seja por algo passageiro ou por depressão, hoje você sabe que isso existe e tem força pra poder ajudá-los. Agora você sabe. Reconheça a ajuda de quem, mesmo não conseguindo tirar você do poço, desceu uma sacolinha até o fundo com toddynho e bolo de cenoura com cobertura de chocolate pra você comer. Te mandaram até um cobertor pras noites frias. Agora você até pode curtir tudo, até a Disneilândia novamente e principalmente você. Tudo é mais divertido com você por perto. Inclusive a vida dos seus filhos.

Agustina Gerrero

Diario de una volatil

 

 


Em 22.01.2016 - Por Ana Medeiros

Drops#21: Autores do Regresso, filmes inspiradores, vovós que cozinham e letras na garrafa

Já passamos do vigésimo post “Drops”, mas pra quem tá chegando agora esse post funciona assim: Quinzenalmente postamos links bacanas sobre assuntos diversos, como gastronomia, música, empreendedorismo, maternidade, poesia, etc. Se tiver alguma sugestão para o próximo post, só deixar o link nos comentários, beleza?

1- Primeiro apanhado de links bacanas do ano não poderia começar de outra forma que não fosse com algo cantarolante. Com música boa que mistura rock, frevo, maracatu e samba, o sotaque pernambucano mais lindo, os melhores músicos e o cantor mais gato (escreveu a namorada), a banda Autores do Regresso, vem com uma proposta de trazer os ritmos pernambucanos de volta ao cenário musical, com letras autorais, dançantes, contagiantes, emocionantes e…ai gente, sou muito suspeita mas é tudo bom demais, hahaha. Aperta o play aí:

autores do regresso 2 autores do regresso 3

A banda lançou o primeiro EP agora em Janeiro e as músicas estão disponíveis pra download no Souncloud. Curte aí a Fanpage e cola no Instagram (@autoresdoregresso)? Ah, como ao vivo é sempre mais legal, tem também alguns trechos do show de lançamento que aconteceu no último dia 15 lá no Youtube. Uhuu!

2- Um artigo sobre 10 filmes no Netflix para inspirar empreendedores  e tem também um outro post com 15 ideias de negócios para mães que querem trabalhar em casa.

empreendorismo

 3- Mais um texto soco no estômago de Juliana Cunha, lá no Confeitaria. Pra ler tudinho é só clicar aqui.

“Você já está em casa, pare de tentar voltar para casa. E também para as calças, rotinas e contas. Uma das formas de voltar pra casa é aceitar que estamos em casa. Queria te dizer com certo pesar que a sala é esta mesmo e que, na cozinha, a barata também está em casa”.

4- Que comida de vó é a melhor do mundo nós já sabemos, agora imagina nossas avós gravando vídeos pra ensinar pro mundo os segredos de suas receitas?  Pois jovens diretores do mundo todo tiveram essa ideia ótima e lançaram o Grandmas Project, coisa mais fofa dos últimos tempos. Vale o clique em todos os vídeos já publicados até o momento, só clicar aí na página deles <3

5- Garrafas que iriam para o lixo e agora são usadas para espalhar gentilezas pela cidade. Taí uma forma linda que Alessandro Novello encontrou de fazer o seu dia e o de pessoas desconhecidas mais feliz. Depois de customizadas, o publicitário deixa as garrafas em alguns lugares de São Paulo. Não dá vontade de sair juntando todas as garrafas do mundo e fazer o mesmo? Tá lá no Instagram >>> @letrasgarrafais 

letras garrafais1

letras garrafais2


Em 22.01.2016 - Por Ana Medeiros

Ideias para decorar o banheiro sem precisar gastar muito

Estou amando a minha nova casinha pequenina e aconchegante, mas os banheiros são terríveis e não vejo a hora de repaginá-los. É uma casa antiga, as coisas ainda são de mil novecentos e bolinha, então precisam de uma renovada no visual o quanto antes. Como é alugada, não dá pra fazer grandes reformas, então tenho procurado algumas boas alternativas pra deixá-los lindões.

Tá na mesa situação ou com a grana curta e também desejando um banheirinho mais criativo, decorado e organizado? Pois tem post lindão meu hoje la no Blog Mara, passa lá que separei ideias lindaaaaas!!!

banheiro 2

 


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