São quase seis anos longe da minha cidade natal.Resolvi criar asas impulsionada por uma paixão que não me deixava mais pensar e fazer nada, além de querer o ser amado. Coisa de gente jovem, coisa de gente que se entrega e não tem muito medo de se arrepender.
É verdade, me jogo, não consigo medir consequências, e apesar de tentar convencer-me ser uma pessoa pessimista, posso afirmar que para coisas grandes, só consigo pensar no melhor, e por isso nunca tive medo de mudar. Mudar quem sou, mudar meus planos, mudar o rumo das coisas. Não é tudo isso que uma mudança de cidade pode me oferecer? Foi assim em 2006, será assim em 2012. Estou voltando.
Meu pai sempre insistiu para que fossemos morar lá em PE, e minha mãe também gosta muito da ideia, apesar do apego pai e filha ser bem mais forte (papis tão dependente emocional,rs). Até então, eu sempre relutava um pouco, pensava com meus botões “Como assim? Não iremos trocar uma vida estável e tranquila, por algo sem garantia”. A gente se prende a cada bobagem…
Só que eu me casei com um cara muito parecido comigo, que também se joga e acredita que a gente precisa de muito pouco pra ser feliz. No meio de uma conversa na madrugada, chegamos a conclusão que essa vida que temos hoje, ainda não é o que acreditamos ser o melhor onde podemos chegar, que o caminho ainda não é esse, e que as desculpas não nos servem mais. Então vamos arrumar as malas e voltar para o ponto de partida? Ok.

Nessas últimas semanas aqui no Rio, tenho ficado um pouco sentimental. Deixar o apartamento, mesmo que alugado, ainda me dói um pouco. Foi nesse corredor que vi meu bebê dando os primeiros passinhos. Foi com tanto carinho que fui colocando cada quadro na parede. E a cozinha tão odiada que consegui deixar com a minha cara? A parede que pintei da mesma cor da almofada do sofá? Como a gente se apega a um lugar e as nossas coisas. E deixar pra trás, é ruim, mesmo sabendo que iremos começar tudo de novo, mesmo o marido me convencendo que sentiremos aquele cheirinho de coisas novas pela casa, dentro de uma novo lar, com novas histórias. Despedida sempre é difícil.
Agora um resumão: Leo é carioca, eu sou a justiceira de Olinda (que corto o pinto dele, caso desconfie de algo. Viram a minissérie? Hum!). Nos apaixonamos, fomos morar em SP (por causa do trabalho dele) e depois de dois anos e meio ele foi transferido aqui pro Rio. Cheguei grávida e tive o Vinico. Coincidentemente a empresa que ele trabalha abrirá uma franquia lá em Recife esse ano (o que seria indiferente, iríamos de todo jeito) e também iremos continuar tocando o Estúdio Cereja, com planos muito maiores (não estamos indo virar hippies, apesar de achar que eles tenham uma vida super interessante). Não vamos levar as nossas coisas, iremos vender móveis e eletros (obrigada meninas do facebook), ou seja, em breve vou fazer um bota fora por aqui, pessoas do Rio que estejam interessadas em comprar coisas a um precinho-inho, fiquem de olho.
E é isso. Sinto que somos amigos, e que eu precisava te situar dos últimos acontecimentos. Estou enrolada, precisando responder muitos emails lindos que tenho recebido e atualizar o blog com mais frequência, tentarei fazer nos próximos dias. Estaremos nos mudando no final do mês e passarei um tempo na casa do minha irmã até encontrar um lugar pra morar. Me animo com a ideia de ter um quintal, quero casa. Quero morar no interior, quero queijo coalho quentinho no café da manhã, quero namorar na praça e escutar o Vinico gritando “Mainhaaaa”. É por ai que a vida vai fazer mais sentido.